13 de abr de 2017

UESB - União Espiritualista Seta Branca



                                                           U.E.S.B.

Recebemos, eu e meu companheiro Getúlio, ordem espiritual para virmos aqui morar e junto a nós veio um bom servidor de Deus - António, o Carpinteiro, como o chamavam os espíritos. Meu companheiro, Getúlio da Gama Wolney, e António começaram a trabalhar desesperadamente nas construções de prédios de madeira para morarmos, enquanto eu, Gilberto, Raul, Carmem Lúcia e Vera Lúcia, saíamos em busca do ganho material: com um pequeno veículo vendíamos, em Brasília, roupas feitas e bijuterias, e só mesmo com a proteção de Deus fazíamos boas vendas e todos os dias, ao findar o dia, eu e meus filhos nos reuníamos e repartíamos o dinheiro. Metade era para comprar géneros alimentícios, e com a outra metade comprávamos gasolina e tecidos, para que eu e Wilma - a esposa do António Carpinteiro - os transformasse em saias de senhoras, enfim, roupas feitas. Trabalhávamos à noite e seguíamos no outro dia, depois de um almoço cedo. Como todos sabem, o pouco com Deus é muito!

Em poucas horas, coisa mesmo de admirar, lá vínhamos eu e meus filhos, no mesmo regime do dia. E assim passaram os dias, os meses. A caridade já me tomava parte do ganho material. E os visitantes! Já podia contar 20 ou 30 pessoas nos domingos, para almoços e jantares que eu me via obrigada a servir, pois os mesmos se acomodavam em minha casa. Meu Deus - pensei muito - será possível que só escolhestes avarentos e acusadores? Que Deus me perdoe por meus instantes de dor, quando me faltava a compreensão ante aqueles exploradores! Comecei a sentir desprezo pela vida material. Eles estragavam sempre os meus planos. Quantas vezes eles chegavam e, na minha própria casa, ali comodamente, começavam a discutir, recriminando tudo o que, com sacrifício, fazíamos eu e meu companheiro.

Nada dizíamos. Era mesmo horrível. Eu olhava ao redor e via, na verdade, material para construirmos. Porém, via também que os trabalhadores precisavam comer. Alguém teria que sustentá-los. Fui então vendo todo o sofrimento dos meus filhos e do meu companheiro Getúlio. Já sem entusiasmo, continuava eu. A caridade se alastrava, com bela emanação, aos que não a conheciam. A luz da Verdade começava a reluzir nas iniciais que comandava aquela terra sagrada - UESB!

Enquanto lutávamos para o nosso infeliz sustento e grandeza da obra, outros se reuniam até mesmo na minha casa, e ali ficavam a ofender nossa Irmã Neném (Diretora Espiritual), que também a estas alturas já tinha vindo residir aqui, eram horríveis os nossos primitivos cobradores todos se revoltavam.. Todos começavam a vibrar inquietude da revolta íntima, muitas vezes desencadeava discussões e muitas vezes conheci o ódio nos corações de alguns, porém com toda incompreensão quem mais sofria era eu. Tudo desencadeava em mim na verdade alem de todas as torturas que pensam sentir os pobres sem compreensão que desejam servir a Deus, sentia eu também pela rebeldia de não gostar de morar no mato a falta de conforto material a mudança de profissão ver arrancado dos estudos os meus Filhos. Tudo era tortura para mim e meu companheiro e pelos mesmos trilheiros passava a irmã Nenen com os seus filhos.

António o carpinteiro todos víamos chegar batendo as nossas portas os nossos velhos credores do nosso antepassado cobrando centil por centil, e assim pagávamos mesmo sem força necessária do bom trabalhador do Cristo, os tempos passavam e eu com o meu ideal de vencer, continuava também no mesmo comercio porem em dias alternados, pois as caridades não me dava tempo, para mais chegava aqui pessoas de todos os lugares com enfermidades para serem curadas aqui. E Deus dava-me forças nesta Terra fazendo assim as mais perfeitas curas. Devido esta enchente de pessoas marquei uma taxa a pagar, as pessoas que tomassem refeições no bendito abrigo, que chamávamos de hotel, taxa esta de 40.00 cruzeiros por diária na verdade a maioria era indigente e eu as sustentava sem qualquer ajuda que não fosse lançada em meu rosto ou alegada por toda parte. É muito fácil oferecer alguns quilos em géneros alimentícios. Porém, oferecer o próprio sustento dos filhos, tirando-lhes a metade do que lhes é justo, e, em amor do Cristo, oferecer a quem pensamos ser um estranho, não é fácil!... E eu o fiz!

Carmem Lúcia, minha filha de 15 anos; Gertrudes, minha filha adotiva; Marly, filha de nossa querida Diretora Irmã Neném, uma linda jovem bacharela; todas eu incentivava ao trabalho na cozinha para os doentes. Muitas vezes sentia medo que elas se envaidecessem com os elogios dos visitantes. Certo dia, após uma de minhas incorporações, recebi da Diretora uma ordem que teria sido dada pelo espírito secretário do nosso Pai Espiritual Seta Branca, espírito este da razão porque ali vivíamos assim, e que teria dito que eu e meu irmão Jair teríamos que entregar nossos veículos em troca de um possante motor gerador de força elétrica. Não titubeamos e, assim, eu e meu bom irmão, que foi para mim uma força ajudadora, entregamos os nossos tão úteis carros. Começou, então, a piorar a minha situação material.
Senti que deveria preparar-me para receber as avalanches...

Salve Deus!
Tia Neiva.
03-11-59.

Contagem, pelo Ministro Ypuena.




A CONTAGEM 

(Esclarecimentos do Ministro Ypuena)

"Eu preciso lhes explicar uma coisa, filhos, apesar de saber que isso é do conhecimento de vocês.

O trabalho de Contagem é um canal de emissão que é aberto do Reino Central até a Terra. É um túnel energético (figura para vocês melhor entenderem) onde algumas centenas de Cavaleiros da Legião de Mestre Lázaro, o Cavaleiro da Lança Vermelha, o Cavaleiro da Lança Rósea e o próprio Mestre Lázaro, guardião dessa Contagem, estão alertas.

Nenhum segundo da Contagem de vocês pode ser perdido. Nenhuma palavra pode ser pronunciada além daquilo que está escrito. Nem a respiração pode ser diferenciada, tem que ser profunda e firme, pois este é um dos trabalhos mais preciosos na Contagem do Mestre Jaguar.

O grande Arakém, mentor da Contagem, muitas vezes tem que imtervir pessoalmente para que ela siga até o fim, pelo descuido de um mestre, pelo pensamento errado, pela vibração fora de hora. O trabalho de Contagem é uma transmutação de forças capaz de retirar um câncer de um doente, capaz de trazer à vida um morto, capaz de fazer andar um aleijado, de ver um cego e de falar um mudo. Talvez vocês não soubessem disso!

Portanto, filhos, quando vocês ouvirem a chamada para a Contagem e quiserem realmente participar desta Cabala Divina, façam-no com equilíbrio e amor. Pois se não estiverem preparados, não poderão fazer. É preferível se retirar da fila, entrar num dos Castelos ou, simplesmente, não participar.

Salve Deus, meus filhos! Espero ter podido contribuir para o conhecimento de vocês. Então, filhos, uma Contagem é um trabalho cabalístico dos mais refinados que existem. São como fios de ouro tão tênues que basta um movimento errado e tudo estará perdido. Mesmo o mestre que conversa lá fora é capaz de quebrar todo o encanto que foi realizado.

Agora que vocês sabem, transmitam para os outros, pois Pai Seta Branca perdoa quem não conhece, mas jamais perdoará quem conhece.

Salve Deus, meus filhos! Vou-me daqui na certeza de que deixo em seus corações uma fagulha do meu amor, que não é pequeno, filhos.

Que vocês tenham um mês repleto de realizações e de grandezas.

Salve Deus!"