2 de out de 2012



ANOTAÇÕES DIVERSAS DE TIA NEIVA

Certa vez, por volta de meia-noite, cheguei em casa, com muita fome. Peguei uma panelinha e fui esquentar um ovo. Meia sem jeito, queimei meu dedo na caçarola e baixei meu padrão vibratório. Oh, meu Deus! Mãe Yara estava por perto:
- É, ouvi, filha. Que vergonha! E pensar o que esperamos de você, uma líder espiritual!... Mas eu vim para fazermos uma prece. O “seu” Manoel das Emas, seu amigo, vai morrer. Na sua segunda viagem, mande o Delei com a segunda turma. Como você está sem condições, vou-me retirando...
Nem senti como comi o ovo. Sei apenas que estava insegura, a dizer, inconscientemente, no meu íntimo:
- Meu Deus! Por que não me controlei? Será que a Senhora do Espaço vai me deixar outra vez?...
Contei ao Getúlio o que ouvira a respeito do “seu” Manoel, e ele me pediu que me acalmasse e que tivesse cuidado com alguma interferência, já que haviam alguns espíritos zombeteiros. O pior era que eu sabia que ele estava errado, que era verdade, mas não me defendi, pensando somente nas minhas ofensas e que Mãe Yara poderia não mais voltar.
Durante o almoço, Delei me pediu a chave do caminhão e foi fazer o trabalho, para me descansar. Delei e Getúlio eram médiuns de confiança e muito próximos de mim. Com o movimento, esqueci o aviso de Mãe Yara. Um pouco mais tarde, vieram me avisar que o “seu” Manoel caíra morto no chão. Senti um grande remorso. Quem sabe se eu tivesse rezado com a Senhora do Espaço poderia tê-lo ajudado?
Passou-se o tempo e, oito dias depois, à noite, com os olhos abertos, vi o “seu” Manoel de pé, numa estrada luminosa e muito amarela, com seu chapéu de palha e com a mesma roupinha. Sorriu, demonstrando que ainda continuava meu amigo, como se me dissesse que estava feliz!...

(...)

Lembro-me da minha primeira visão. Chegara de uma viagem muito cansativa, e logo me deitei. Alguns colegas, que estavam em minha casa, continuaram a conversar. Muito cansada, não conseguia dormir. De repente, um velhinho, bem conhecido meu, apareceu com um lampeãozinho na mão e, folgadamente, se sentou à beira de minha cama. Dizia-me coisas que logo esqueci, mas lembro de que agradecia, em nome de Deus, o que eu tinha feito por ele, mas me dizia que eu ainda teria que trabalhar muito. Sorri e pensei:
- Está caduco! Trabalhar mais do que eu trabalho?
Logo lembrei que ele já havia morrido, após uma vida em que pedia esmolas, embora tivesse muitas casas alugadas. Ele dizia que era por missão. Era um verdadeiro Espírito de Luz. Mas fiquei apavorada, e saí dali correndo, toda irradiada, e lembro bem, até hoje, de como aquele encontro me atingiu, embora tudo tivesse acontecido como já me tinha sido previsto por Mãe Yara.