20 de mar de 2013

DESENCARNE




DESENCARNE

O desencarne ou a morte foi, nos tempos ancestrais, encarado como acontecimento natural e isso prevaleceu até a Idade Média, quando sofreu a influência religiosa e assumiu a idéia de punição e sofrimento. Vinda do Oriente, a aceitação da morte como simples transição do espírito passou ser encarada com mais compreensão, enquanto a Igreja Católica, já na Idade Média, lhe concedia um momento crítico, de julgamento da alma e passou a ser representada, nas diversas manifestações da arte, como figura pesada, plena de horror. Com o advento do espiritualismo, surgiu, a partir do Século XIX, nova compreensão do desencarne.

Quando parte um ente querido, após cumprir sua missão nesta encarnação, a maioria das pessoas sente um grande vazio, dilaceradas pela angústia e com o desespero minando suas energias, a revolta se insinuando em seus corações, que pulsam destroçados pela dor da separação.

Temos muita dificuldade de encarar o desencarne com tranqüilidade, mas, na Doutrina do Amanhecer, buscamos entender seu significado ao invés de nos preocuparmos com ela. Nós entendemos a Morte como uma bênção de Deus, pois sabemos que aquele espírito que deixa o corpo está nascendo para uma nova Vida, e sua passagem pela Terra foi apenas uma etapa de um longo aprendizado. Teve bons e maus momentos, riu, chorou, sofreu e teve seus momentos felizes, dentro do ciclo que corresponde a mais uma vida: nascer, viver e morrer!

O desencarne ou a morte tem sido, desde tempos antiquíssimos até hoje, uma questão enigmática para a Humanidade. Homens sem fé, sem qualquer religião, com suas mentes científicas, ficam perplexos diante da morte. Seria o fim de tudo?

Geralmente interpretada apenas como a degradação física, a morte, na nossa Doutrina, é aceita de forma tranqüila, pois nosso conhecimento supera o sofrimento, embora isso não nos isente da saudade daquele irmão ou irmã que partiu. Sabemos que aqueles seres que amamos não desapareceram, não foram aniquilados: apenas sobreviveram modificados em suas estruturas, em outras expressões vibratórias, continuando a receber nossas vibrações de amor, de saudade, de carinho. Por toda a natureza podemos ver a renovação, o recomeço, a continuidade e a demonstração de que a morte é, tão somente, o renascer. Quando enterramos um corpo morto estamos devolvendo à Natureza o invólucro que ela concedeu ao espírito por um tempo que varia de um caso para outro; quando um corpo é cremado, as cinzas ficam como restos da matéria que se desfez no ar. Mas, em nenhum desses casos, o espírito foi atingido. Só a matéria. O espírito parte para os planos de Deus, e com ele carrega sua bagagem de tudo o que fez, de bom ou de ruim.

Em nossa Corrente, a morte só nos preocupa sob um aspecto: a morte do espírito, impedido de se manifestar pelo baixo padrão vibratório, pela falta de disciplina pessoal, pela incapacidade de manipulação das energias, submisso às ações de predominância material: defeitos, ódios, intolerância, vaidade e revolta. É a conseqüência da morte da consciência, que transforma o amor em ódio, o perdão em vingança, os bons sentimentos em paixões desenfreadas, fazendo no Homem a degradação da alma.

O que comumente se chama morte é, para nós, apenas o desencarne. Sabemos que é preciso morrer para nascer. Na nossa Iniciação, determinamos a morte de nossa personalidade, e só conseguiremos evoluir em nosso estado iniciático se conseguirmos nos despojar de tudo o que seja negativo em nossa personalidade.

Para passar por esta porta estreita do desencarne temos toda uma preparação. A fagulha divina (*), a centelha extra-etérica que liga o espírito ao feto, no terceiro mês de gestação, começa a ser desprendida, 24 horas antes da morte clínica ou física. Isso acontece tanto para aqueles que têm a chamada morte natural - por doenças ou inviabilidade vital - como com os que são vítimas de acidentes, em que o espírito é liberado antes do choque fatal, de modo que não tem idéia do trauma físico. Os Médicos do Espaço, que fizeram a ligação, trabalham na liberação.

Livre, o espírito se projeta pelo chakra (*) laríngeo ou da garganta, e se coloca em posição invertida ao corpo, isto é, com sua cabeça sobre os pés do corpo, ficando em posição bem elevada. Logo, começa a baixar lentamente, sugando o magnético animal do corpo, carregando-se com todas as energias de tudo que realizou naquela encarnação, recebendo fluidos e emanações que vão formando um novo corpo, que leva consigo a alma e a conserva enquanto está a caminho.

Enquanto o espírito estiver ligado à alma, permanece no campo vibratório dela e se sujeita às leis que regem esse plano. A energia que havia servido como “solda” fica no cadáver, passando a se chamar charme (*). Esta fase de absorção do magnético animal dura cerca de 24 horas, motivo pelo qual os velórios demoram esse tempo, durante o qual o espírito recém-desencarnado recebe energias dos que ali estão, percebendo, também, os sentimentos daqueles que estão velando o corpo.

Depois de retirar todo o magnético animal do corpo, o espírito vai se sentindo leve é conduzido, por força magnética, para o primeiro ponto de contato com o Plano Espiritual: Pedra Branca, onde ficará por tempo correspondente a 7 dias terrestres. Existem opiniões que o Jaguar não vai para Pedra Branca. Mas Tia Neiva sempre nos esclareceu de que todos os desencarnados vão para lá, até mesmo ela teria que ir.

Pedra Branca é um local onde estão muitos espíritos, na mesma situação de desencarnados, mas não se vêem, isolados totalmente uns dos outros por uma barreira de neutrom, ocasionalmente ouvindo vozes, sermões e mantras, muitos sem terem consciência de seu estado de desencarnado. Ali, o espírito tem oportunidade de lamentar-se, alegrar-se, se maldizer e de fazer reflexões, avaliar sua encarnação como se, em uma tela projetada em sua mente, passasse toda a sua jornada detalhadamente. Vê as oportunidades que lhe foram dadas; as boas ou más coisas que fez; o que havia se comprometido a fazer, antes de reencarnar, e o que cumpriu; o que deixou de fazer! Fica isolado, solitário, e nada vê nem ouve.

Após o correspondente a 5 dias na Terra, ele começa a ouvir sermões esclarecedores sobre a sua real situação e, no 6º dia, é avisado de que vai deixar Pedra Branca e voltar à Terra. Exceto para espíritos de maior grau de evolução, ao sair de Pedra Branca, após o sétimo dia terrestre, o espírito chega à Rodoviária (*), onde se encontram milhares de outros espíritos, mas não tem qualquer indicação para seu destino, a não ser que será na Terra. É esse sétimo dia chamado o da REVELAÇÃO, em que o espírito tem plena consciência de toda sua grande vida. Chegando à Terra, vai iniciar sua jornada de acordo com seu padrão vibratório, e recebe o apoio de um Caboclo ou Índio para encontrar a fonte do magnético animal que permitirá sua passagem para outro plano, indo para uma Casa Transitória ou necessitando daquela energia para prosseguir até o Canal Vermelho (*), e isso é obtido por sua condução à Mesa Evangélica ou até mesmo pela simples aproximação de um médium que esteja em condições de ajudá-lo.

Se seu Mentor não consegue encaminhá-lo, impedido pelo próprio padrão vibratório daquele espírito, ele se afasta e o deixa entregue ao destino que foi escolhido pela afinidade vibratória, fruto dos laços que teve em vida, dos parentes ou seres amados, até mesmo de lugares onde viveu.

Existem espíritos que permanecem longo período como se estivessem mortos, arraigados em suas mentes negativas, dominados por ódio e rancores, de tal forma que perdem seu corpo espiritual, originando os elítrios (*) ou ovóides.

Outros espíritos se tornam errantes, por período que pode durar dias ou séculos, sendo atraídos por outros espíritos, ingressando em legiões demoníacas do Vale das Sombras (*) e só se libertando quando, aliviados por trabalhos desobsessivos, possam se voltar para Deus e receberem ajuda dos Planos Superiores.

Existe, sempre, o peso da responsabilidade, do conhecimento, e é engano pensar que um Jaguar jamais vai para o Umbral (*), pois se fugir de sua conduta doutrinária, de suas metas cármicas, tem o espírito do Jaguar uma queda muito maior do que aquele que não tem Doutrina e, por isso, não tem o conhecimento que nossa Doutrina proporciona. Assim, o sofrimento do Jaguar que sai de seu caminho é muito maior. 

O espírito desencarnado possui estrutura molecular densa que vai se tornando mais leve quando doutrinado, sendo fluidificado pelos trabalhos, até que consegue suficiente leveza para ser magneticamente projetado a um hospital ou a um albergue dos planos espirituais, retomando sua marcha evolutiva.

Os parentes e amigos que aqui ficaram devem evitar mentalizar aquele que desencarnou, ansiosos por senti-lo, falar-lhe ou ouvi-lo, pois isso gera também angústia naquele espírito que não pode comunicar-se, ainda, por condições que levam sempre um longo tempo para serem superadas.

Sabemos que o amor não tem barreiras e, por isso, vibrando amor e agradecimento por termos podido conviver e compartilhar momentos preciosos com aquele espírito, aguardando com esperança um futuro e feliz reencontro nos Planos Espirituais, temos a certeza de que estaremos em contato e ele se sentirá feliz ao receber as emanações de nossas vibrações isentas de mágoas, ressentimentos ou aflições.

O certo é que não podemos deixar de estar preparados para a Morte, pois nunca saberemos o momento em que chegará nosso desencarne, pois isso depende de muitas coisas. Não existe uma data marcada. Pode ser mais breve ou mais demorado, dependendo da trajetória de cada um, de seus atos, de suas ações e reações, de sua dedicação, de seu amor, de seu desprendimento, da capacidade de assumir novas responsabilidades que lhe proporcionarão um tempo adicional, que denominamos recartilhamento. 

Por isso devemos aprender a conviver com a morte, a pesar nossas ações para que possamos estar preparados para a partida daqueles a quem amamos e para a nossa própria partida, confiando em nossos Mentores para que sejam momentos de paz e harmonia.

Já existem estudos científicos, em diversas partes da Terra, que visam esclarecer a humanidade sobre o momento da morte ou do desencarne. Um psiquiatra - Raymond A. Moody Jr. - coletou impressões de numerosos pacientes que haviam passado pela experiência de morte iminente (EMI), e publicou um livro - Vida após a Morte -, em 1975, que desencadeou ondas favoráveis e objeções furiosas na comunidade médica internacional. Os estudos sobre o assunto se intensificaram, e foram realizadas pesquisas em diversas universidades e hospitais com pacientes que haviam passado pela EMI.

Chegaram à conclusão de que havia algo, num campo onde a Ciência atual ainda não tinha como certificar, tendo, em linhas gerais, sido isolados cinco pontos fundamentais de experiências de EMI que consideraram básicas:

paz e sensação de profundo bem-estar;

desprendimento do corpo físico;

passagem por uma espécie de corredor escuro;

visão de uma luz de brilho muito intenso;

entrada em um ambiente de luz e paz; e

visão de entes queridos que já haviam morrido.

Tudo isso se completava com a ordem de voltar ao corpo, pois ainda não era chegado o momento do desencarne. E, assim, o paciente retornava ao corpo físico e, independentemente de sua raça, religião, posição social ou convicções individuais, passava a ter uma nova visão sobre a morte, com significativas alterações em suas perspectivas de vida.

Um aspecto que intriga os pesquisadores é que alguns pacientes têm visão totalmente diferente, com ambientes hostis e sofrimentos. Isto porque os cientistas não entendem, ainda, a afinidade espiritual e o merecimento de cada um.

Outro ponto que tem gerado muita divergência é o que se refere à doação de órgãos. O Jaguar sabe que nada desta matéria se leva para a outra vida e que, mesmo se faltar uma perna ou um braço nesta encarnação, seu corpo etérico estará perfeito. Daí, que se houver doação de seus órgãos após sua morte física, é uma caridade que estará fazendo ao próximo se puder ser transplantado seu coração, ou suas córneas, ou seus rins, etc., proporcionando melhor condição a quem necessita de um órgão saudável.

O corpo físico, após poucas horas, entra em processo de decomposição e tudo se deteriora e se perde. O que puder ser de proveito para outros irmãos pode ser utilizado, sem qualquer prejuízo para aquele espírito que se libertou da matéria.

Todavia, os registros médicos vem demonstrando que, em alguns casos, existe uma interferência vibracional que altera o comportamento e a sensibilidade dos receptores, que nós sabemos pode ser causada pela vibração magnética do doador impregnada no órgão transplantado, que passa a interferir no plexo físico do receptor. (Veja DESENCARNADO)

VELÓRIO e SEPULTAMENTO

Muito se tem falado sobre como o Jaguar deve ser enterrado. O Mestre Tumuchy, em seu livro “O que é o Vale do Amanhecer”, cita o velório iniciático, sem, contudo, fazer qualquer esclarecimento sobre o assunto. Na verdade, o velório de um mestre ou de uma ninfa do Amanhecer deve ser simples, mas temos que ter a consciência de que é mais um trabalho que vamos fazer para ajudar àquele espírito que está de partida. Cada um que ali comparece deve emanar o melhor de suas forças para ajudar a elevação daquele espírito que ali ainda está presente. Uma concentração de forças, emissão de energia mental e perfeita harmonia, com a emissão de mantras, ajudam muito àquele que ali se prepara para partir rumo à Pedra Branca.

O vestuário do mestre finado pode ser calça marrom e camisa preta ou calça preta e jaleco branco, com a fita. Para a ninfa, vestido branco com a fita. Nunca deverá ser usada uma indumentária de ninfa ou de missionária. O colete pode ser dobrado e colocado ao lado do corpo; jamais vestido.

Ao chegar o momento de iniciar-se o sepultamento, antes de ser fechado o caixão, o mestre presente, de maior hierarquia ou o Adjunto ao qual o médium pertencia, faz um rápido comentário sobre o finado, e pede que se forme uma corrente, com as pessoas presentes se dando as mãos. Faz, em seguida, o “Pai Nosso”, ao fim do qual pede que se emita o mantra “Consagração aos Mestres” (“Caminheiros de Jesus”). Terminado este mantra, o caixão é fechado e se inicia a jornada para o sepultamento. Se houver flores em buquês, estes devem ser desfeitos para permitir, dentro do possível, que cada um dos acompanhantes leve uma flor, individualmente, para ser colocada na cova.

A jornada é muito importante porque, enquanto atravessa o cemitério para chegar ao local do sepultamento, os acompanhantes vão distribuindo forças pela emissão dos mantras. Essas forças atraem espíritos que estão ainda vagando entre as tumbas, e muitos conseguem serem libertados, iluminados pela luz emanada pelas vibrações de amor e paz produzidas pelos mantras e flores, elevados pela força que recebem daqueles médiuns que estão conduzindo o féretro.

Na hora do sepultamento, uma rápida parada permite a última homenagem e carga fluídica em benefício do falecido: de modo geral, faz-se a Prece de Simiromba e, se for o caso, o canto da falange missionária a que pertencia o finado. As flores são lançadas na cova, que é lacrada e põe fim ao ritual.

No que se refere aos mantras, não devem ser emitidos os ritualísticos, dando-se a preferência a: Hino do Doutrinador, Noite de Paz e Encantos do Amanhecer.

No Templo-Mãe a sirene é acionada, de hora em hora, a partir das 10 horas, até a hora do sepultamento, no dia do enterro. Antigamente era só no caso de médium daquele Templo. Agora, é em auxílio do médium de qualquer outro Templo, porque, ao ouvir a sirene, os médiuns fazem preciosa emanação de força em benefício daquele espírito que desencarnou, vibração muito importante para sua libertação.

CREMAÇÃO

Com a prática de cremação dos cadáveres, recente no Ocidente mas milenar nas correntes do Oriente, surgiu a dúvida se o corpo do Jaguar poderia ser cremado. Tia Neiva se mostrou contrária, dizendo que, em muitos casos, o espírito fica junto ao seu corpo, no cemitério, relutando em partir. Se cremado, essa situação seria muito dolorosa para aquele espírito. Mas, vamos despertar para uma realidade: o mestre ou a ninfa Jaguar, com suas consagrações e seu conhecimento, certamente não ficará prisioneiro de um cemitério, ligado ao seu cadáver. Depois de passar pela Pedra Branca, seguirá seu destino e não voltará à Terra tão cedo.

Além disso, o charme (*) é uma energia e não é material, ligando-se aos restos do corpo humano falecido. Ora, tanto faz ser a carne que vai se desintegrando, através do tempo, e acaba desaparecendo, como as cinzas, restos materiais de um corpo, a energia não se desfaz, e o charme permanece até ser recolhido, em uma nova reencarnação, por aquele espírito que o gerou.

Portanto, não há qualquer empecilho à cremação do corpo do Jaguar.



MENSAGEM DE UM AMIGO RECÉM-DESENCARNADO



“Eu estava distraída quando percebi a chegada de um amigo, de uma pessoa que passou aqui pelo Vale e que teve apenas dois ou três contatos comigo.

- Ó, Tia, que bom lhe ver! Depois de tanto tempo, Tia, só agora me é possível ouvi-la. Passei muitos dias sentindo a sua presença, o seu amor, porém sem vê-la. Por quê, Tia?

- Porque você está em um plano e eu estou em outro!

- Mas o seu plano não é Universal, Tia? A senhora não é clarividente? Os clarividentes não penetram até a terceira dimensão?

- Sim, meu filho - falei - a minha transvisão ultrapassa realmente as barreiras, mesmo as ditas intransponíveis...

- Tia querida, está me ouvindo, e isto é tudo! Como é bom lhe ver e lhe ouvir. A senhora sabe de tudo que aconteceu comigo!...

- Não, meu filho, muitas vezes participo de tudo, vou ao socorro dos enfermos e, quando volto ao corpo, não desperto, a não ser em casos que exigem seguidamente minha presença. O que aconteceu com você é um caso demasiadamente comum e, graças a Deus, não houve necessidade para me despertar, despertar a minha mente quando volto ao corpo.

- Preciso desabafar, querida Tia. Preciso lhe contar toda a minha trajetória.

- Eu sei, meu filho, que vai lhe fazer muito bem. Está na mente dos Doutrinadores e médiuns Aparás (sensitivos). Salve Deus, meu filho! Pode começar. Tire os últimos resíduos da Terra, e que neste instante seja levado até aos Encantados e entregue aos Iniciados o mantra de sua vida!

- Salve Deus, Tia! Foi tudo tão maravilhoso... Eu estava com aquele problema cardíaco que a senhora sabia quando fui lhe consultar. Mal me punha de pé, estava sempre seguro no ombro de Dulce, me equilibrando das tonteiras e com pontadas dolorosas na coluna.

A senhora, para me aliviar, me disse que eu nada tinha, que era um problema espiritual, muita mediunidade incubada, e me mandou falar com Pai Jacó.

Pai Jacó me disse palavras de conforto, belas palavras, e depois me disse que meu caso era de internamento.

Fiquei três dias na pensão do Edivaldo, de quarta-feira a sábado. No sábado, fui procurar Pai Jacó e ele novamente me falou que meu problema era espiritual e que na freqüência dos meus Retiros haviam se libertado três elítrios.

E, realmente, eu já caminhava sozinho, vinha buscar minha água de Pai Seta Branca, e subia sozinho até a pensão do Edivaldo. Recebi muito carinho do Alencar, palestrei com o Eurides. Ele me contou como veio parar aqui no Vale do Amanhecer e da sua dedicação à senhora, também.

Estranhei a atitude de Pai Jacó em me mandar de volta ao hospital, porque eu estava tão bem como nunca. Dulce, minha companheira, estava satisfeita, pois nunca me vira tão bem como eu estava me sentindo.

Os dias que permaneci aqui no Vale me abriram uma nova perspectiva. Comecei a me preocupar com as coisas que não havia feito, com as oportunidades que tive em mãos para fazer o Bem e, no entanto, deixei de fazê-lo!

Graças a Deus, nunca fiz mal a ninguém. Sim, conscientemente, nunca fiz mal a ninguém. Senti que era outro homem, com novas forças, com as forças do Bem brotando dentro do meu coração!

Comecei, então, a pensar na morte como um alívio. Lembrei-me de que eu e Dulce, minha mulher, nunca tivemos um filho e nunca tive coragem para adotar uma criança, o que era o grande desejo de Dulce. Lembrei-me, também, de uma mulatinha, uma mulherzinha que havia se prostituído e fizera tudo para nos dar uma filhinha, e eu não aceitei. Dulce chorou muito por causa de minha intransigência. Com a minha doença, ela se dedicou inteiramente a mim.

Porém, senti que a havia magoado, pois ela apegou-se à família e queria sempre voltar para o Rio. Eu era um sargento reformado. Senti que minha missão com a família de Dulce já havia terminado. Depois de minha permanência no Vale eu pensava que, com a minha morte, Dulce voltaria para o seio de sua família, e tudo ficaria bem.

Comecei a ver o meu egoísmo: ficava bom para ela, como aconteceu realmente!

Seguindo as palavras de Pai Jacó, embora sem saber a razão de me internar pois me sentia tão bem, saí no domingo do Vale e fui para casa. Comecei a passar mal. Foi horrível, só tendo alívio quando sentia a presença de Pai Jacó ou tomando a água de Pai Seta Branca. De segunda para terça eu me internei no Hospital das Forças Armadas.

Ah, Tia, que beleza! Foi tudo tão fácil! Senti uma forte dor na nuca, que foi se acentuando, e, por último, uma dor no peito. Eu fui ficando leve, leve, leve... Comecei a fazer força para me deitar. Pensei: estou no Vale do Amanhecer. Comecei a mentalizar aquela confusão, enquanto me sentia cada vez mais leve, até que ouvi minha mulher chamando a enfermeira, dizendo: ele está morrendo, ele está morrendo!...

Não sei por quanto tempo ouvi essas palavras de desespero. Comecei a ter medo, até que entrei em transe. Naturalmente, a minha mente entrou no nível etérico, onde fui prestar as contas com o meu corpo. Eu, que até então estava leve, comecei novamente a pesar, sentindo o calor dos fluídos maléficos do meu corpo.

Comecei, então, a me lembrar dos trabalhos de Pai Jacó. E o que poderia estar acontecendo comigo? Comecei a me ver andando para a pensão do Edivaldo, com uma garrafa de água fluidificada, ouvindo Pai Jacó me dizer: “Você já perdeu muito tempo... Vá para o hospital se tratar e venha fazer a caridade!”

Pensava no jovem aparelho de Pai Jacó (Gomes), que já havia feito tanta caridade. No entanto, eu, com 58 anos, nada fizera! Tudo era suave, como se nada de mais houvera acontecido. E as visões foram se apagando. Por mais que fizesse força, nada via e nada sentia, nem mesmo dores que me dessem algum sinal do que estava acontecendo. Era como se estivesse dentro de um avião parado no espaço. Não tenho noção de quanto tempo durou esta operação. E quando me vi em outra situação, numa rica e hospitaleira mansão, estava sozinho, inteiramente sozinho!

Estava envolvido por uma grossa neblina, a poucos passos de mim, num ambiente todo coberto por uma luz lilás, cuja intensidade variava de conformidade com minha mente. Não tenho noção do tempo.

De repente, alguém me chamou pelo nome. Importante: não era o meu nome, porém eu sabia que era eu! Um nome completamente diferente. Começaram os primeiros fenômenos. Enquanto esse homem falava (a voz era masculina), a névoa ia se desmanchando, clareando, passando do lilás escuro para lilás mais claro. O som de belíssimos sermões mântricos foi firmando minha mente no encanto daquelas palavras. Senti balançar o meu corpo de coisas que havia feito. De quando em vez pensava estar sonhando um lindo sonho. De quando em vez, voltava à realidade. Ora sentia saudade, ora sentia desejos de vícios diversos.

A paisagem mudava de acordo com meus pensamentos. Fui, então, me conscientizando dos fatos. O sermão continuava, dizendo coisas de que nunca me esqueci: “Homens endurecidos! Penetrem em seus corações e examinem as suas consciências. Vejam o que é possível fazer. Permanecerão sete dias dentro das suas próprias consciências. Não terão desejos. Depois, então, voltarão com as suas mentes à Terra e de lá partirão para onde lhes aprouver.”

Fiz um esforço muito grande querendo dizer: Onde estou? Qual é a minha condição? Mas minha voz não saía. Porém, tive resposta: “Terás que permanecer aqui ainda por mais noventa e seis horas. Dentro de ti entenderás melhor. O Homem vive na Terra a volúpia dos seus dias... Sua única preocupação é com sua própria segurança material, esquecendo-se da verdadeira missão, do que foi fazer realmente. Na Terra, o Homem vem para restituir o que destruiu. O Homem não tem forças para chegar aos mundos superiores enquanto sua mente estiver sob o peso da destruição que causou!”

De fato, Tia, tentei me levantar de Pedra Branca, de onde estava, mas acredito que nem o super-homem o conseguiria. Foi então que me passaram pela mente minhas faltas, na concentração daqueles dias. Senti imensa frustração pelo que havia feito. Interessante, Tia, que eu não senti tanto pelo que fiz, mas, sim, pelo que deixei de fazer. Quantas pessoas a quem deixei de ajudar, e as quais desprezei!

Ia deixar, agora, a Pedra Branca, porque foram sete dias dentro de mim mesmo. Em todas as minhas orações me lembrava de Pai Jacó e de seu aparelho; a todo instante tinha a impressão que ele chegava ali. Durante estes sete dias, ninguém vi e nada senti. Somente tinha respostas do que eu pensava.

Lembrei-me, também, da minha pobre Dulce. Tudo isso, porém, eram lembranças longínquas. Minha preocupação era, realmente, com as coisas que não fizera, que passaram por mim e eu deixara de fazer. Lembrei de José, um subalterno que teve tanta necessidade de mim e a quem não ajudei, por quem nada quis fazer.

Eis que chegou a hora de sai dali. De repente, tudo se modificou: achei-me numa grande rodoviária, iluminada pelo mesmo clarão lilás. Vi saírem pessoas com diversos destinos, sem saber para onde.

Foi quando ouvi uma voz de comando superior ao nosso plano ali: “Destino para a Terra! Equilibrem-se para a viagem!” Levei o meu pensamento imediatamente ao Vale do Amanhecer. A voz de comando avisou a chegada na Terra.

Cheguei pela manhã, Salve Deus! Parecia que havia chovido, porém, Tia, não tenho muita certeza. Comecei a enxergar com dificuldade e as coisas mudavam conforme meus pensamentos. Mudavam, porém nunca saiam daquele lilás baço, mais claro ou mais escuro. Senti muita saudade e pelejava para saber quem era eu realmente. Se alguém perguntasse meu nome, passaria vexame, pois não sabia!

Ouvi tocar a sirene e me lembrei de Edivaldo. Fui até lá, mas não enxergava direito. Ele passou por perto de mim e segurei o seu braço, balbuciando alguma coisa. Ele não me atendeu. Tocou a sirene outra vez. Eu voltei e entrei no Templo, indo parar na mesa branca.

Enxerguei luzes, muitas luzes, que desapareceram de repente, ficando novamente a luz lilás. Olhei aqueles médiuns ali sentados e não vi Pai Jacó. E antes que pensasse, senti um forte safanão e fui atirado em um aparelho, um homem. 

Comecei a chorar com todas as minhas forças. Meu Deus! Onde estou, para onde irei? - pensava. Essas perguntas me torturavam e fiquei irritado. Dei um grito. Um Doutrinador me explicou: “Que tens, irmão? Calma! Este corpo não é seu. Comporte-se direito...” Senti uma grande vergonha e voltei a chorar.

O Doutrinador continuou: “Quando estavas neste mundo, nada fazias. Agora, precisas saber que este corpo não é teu.” Quis dizer: Pai Jacó me proteja, pelo amor de Deus! Então, me aconteceu um fenômeno: Ouvi Pai Jacó me dizendo: “Filho, estás com Deus! Se receberes a doutrina desses médiuns, que estão te dando esta oportunidade, partirás para outros mundos!”

Aquelas palavras foram caindo em mim como o orvalho cai sobre a flor. Pai Jacó, meu paizinho, não me desampare! Enquanto eu me preparava, o médium se contraía pelos maus fluidos da desencarnação recente, que hoje eu entendo tão bem! De repente, me desprendi dos meus benfeitores e passei pelo processo da verdadeira desintegração. Fui jogado para uma estufa que se ligava aos meus benfeitores. Saí e, então, avistei uma cidade diante de meus olhos. Foi quando me dei conta de que havia morrido! Comecei a sentir saudade de minha pobre Dulce e a me preocupar.

Não sei por quanto tempo durou esta situação. Fui internado em um hospital e lá começaram meus conflitos. Ficava a olhar tudo quanto podia ver, maravilhado, porém com uma angústia terrível.

Sofria profunda insatisfação ou a falta de algo, de alguma cousa que deixara de fazer. Pensei que sentia falta da Dulce. Pedi ao meu Mentor que me levasse até onde ela estava, e fui. Porém, me senti tão inútil! Perseguiam-me as recordações do cabo José, da criança que eu deixara de adotar...

Pedi ao meu Mentor que me desse uma nova missão, porque aquela já estava perdida. Pedi para voltar imediatamente.

Estava de volta quando me deparei com o cabo José no mesmo plano meu. Fui correndo ao encontro dele, chamando-o como um desesperado, e, por duas vezes, ele virou-me o rosto! Continuei e parei à sua frente dizendo: “Não sabia que você havia morrido!” “Como? Como não sabia? Eu lhe havia dito que estava com pneumonia e precisava de um internamento. O senhor me virou as costas e, ainda mais, mandou que eu seguisse em frente! Não agüentei, e uma forte hemoptise me fez cair ali mesmo, esvaindo-me em sangue.”

Meu Deus! Caí de joelhos diante do cabo, pedindo-lhe perdão. Oh, Tia Neiva, foi horrível! Ele virou-me as costas e desapareceu numa fila enorme. Meu Deus! Não fui apenas malvado, porém muito pior, fui desumano, não existindo amor em meu coração. E aqui estou, sofrendo angústias e frustrações pela missão perdida.

Fui ao Ministro pedir uma nova oportunidade para voltar à Terra, e foi mais um vexame por que passei. Os Mentores me negaram, dizendo que ficaria para resolver o que realmente me restava fazer!” (Tia Neiva, 30.11.75)

“A cada dia nossas responsabilidades estão aumentando e, por isso, é preciso ficarmos cientes da vida fora da matéria. É muito fácil o espírito dela se compenetrar, porém não é fácil se adaptar!
Nos mundos espirituais ou mundos fora da matéria, a vida se compõe de positivo e negativo, isto é, homem e mulher. O espírito do homem continua homem e o espírito da mulher continua mulher. Apesar de ser afirmado por alguns iniciados que o espírito não tem sexo, os meus olhos dizem o contrário.

A adaptação do Homem na vida fora da matéria é difícil porque sente muita saudade de suas coisas e dos seus entes queridos, nas suas concepções másculas de Homem terreno, isto mesmo com o amor dos puros (força de expressão).

Os espíritos libertos vivem em suas dimensões e se amam... Se amam com a ternura dos anjos!” (Tia Neiva, 26.6.65)

“Em nossas cegueiras às vezes amaldiçoamos nossas vidas por não compreender o que fomos e o que nos espera. Nos desequilíbrios dos nossos obscuros raciocínios, habituamos a proceder de maneira irracional com a gente mesmo, chegando mesmo a ultrapassar as barreiras dos nossos destinos, de nossas louras auréolas, cujas vidas se tornam dolorosas, e por todos os pontos da Terra o clamor, quando chega o término da grande viagem, desembarcamos sem uma única coberta que nos possa cobrir no longo frio do último porto.
E, em vez, lhe resta o que deixou, ouro e prata, e consigo levar a tua última herança, que é o conflito da desarmonia interior. É fácil presumir o que nos resta, como, também, até onde a nossa capacidade pode chegar.

Todos nós conhecemos a linha divisória entre o visível e o invisível, entre o objetivo e o subjetivo, entre o sonho e a realidade. Se assim pensarmos, talvez nossas vidas não sejam tão alucinantes e nos dê tréguas a um conhecimento profundo e honesto.

Por conseguinte, antes, muito antes do desembarque, já estaremos livres para receber nossos amigos e, também, os que se dizem nossos inimigos.” (Tia Neiva, 15.6.79)

“Meu filho: A mensagem da Vida é a mesma mensagem da Morte. Choramos ao partir para a Vida, ao ver desintegrar o que é nosso... Choramos, também, com tristeza, ao sentir o desintegrar da Vida na Morte, não sabendo o que espera a Vida nas vidas, longe da Morte...” (Tia Neiva, 2.9.80)

“Filho, não chores por uma simples despedida, porque, na estrada rude da Vida, terás sempre um adeus e uma partida. Conhecemos a Vida quando conhecemos a Morte! Saber esperar é crer em nós mesmos...” (Tia Neiva, 31.1.84)

“O espírito humano, ou o espírito em sua condição de encarnado, é simplesmente um espírito revestido por um corpo físico, com sua força subdividida pelo plexo físico e pelo microplexo, e que, ao desencarnar, simplesmente se liberta do corpo, seguindo o curso natural de sua evolução.
Quando o espírito desencarna, fica o plexo físico.

Desprendem-se o microplexo e o macroplexo, que vão se apurando, apurando, até que o espírito se torna divino e conquista o terceiro plexo: Pai, Filho e Espírito Santo - Santíssima Trindade ou Chave do Verbo Divino!

Falamos aqui no espírito fora da matéria, em sua vida além física, Salve Deus!” (Tia Neiva, 3.6.84)

“Jesus! Sei que chegará um dia em que perderei de vista a Terra e a vida se despedirá aqui, em silêncio, com a cortina pela última vez sobre os meus olhos!
Não indagues o que levo comigo ao partir. Seguirei viajem de mãos vazias, mas com o coração esperançoso!

Jesus! Quando penso neste fim para os meus instantes, rompe-se o dique dos mantos e vejo a Luz da Morte e o Teu mundo, com seus tesouros incomparáveis.

Amanhã o Sol nascerá como sempre, as horas passarão, como as ondas do mar se arremessando contra os rochedos... Os prazeres... As mágoas... As coisas por que suspirei em vão!... E as coisas que obtive - todas, todas perecíveis...

Deixa-me, agora, possuir só a Verdade! O que vejo é insuperável!

Sejam estas, quando eu partir, as minhas últimas palavras...” (Tia Neiva, s/d)

“No desencarne acontece o mesmo que no nascimento: exige cuidados médicos dos dois planos. (...)
Aplicando todos os recursos, na tentativa de salvar o paciente, os médicos da Terra curam muita coisa antes que o paciente morra. Muita dor e sofrimento são, assim, poupados. O paciente que morre bem assistido chega ao outro lado com muito menos trauma e muito menos defeitos no seu perispírito.

Na verdade, embora os médicos da Terra não saibam disso, eles trabalham sempre em equipe com os médicos espirituais, cada um atuando no seu plano. Ambas as equipes, uma sabendo e a outra sem saber, obedecem aos ditames da Lei Cármica, e o paciente desencarna no momento previsto.

Todo desencarne é feito antes da morte física. Quando chega a hora, os Mentores e Guias tomam as providências necessárias e o “parto” para o outro lado tem início.

Geralmente, dura de três a quatro horas. Mas, não existem dois desencarnes iguais. Cada caso exige atenção especial. (...)

Muitas vezes a pessoa está dirigindo calmamente seu carro e seu desencarne já está sendo feito. Logo adiante, o carro capota e ela morre, às vezes inexplicavelmente. Isso mostra, inclusive, porque certas pessoas saem vivas de desastres terríveis e outras morrem de uma simples batida.” (Tia Neiva – “Sob os Olhos da Clarividente”)

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