20 de mar de 2013

CAVALEIROS ESPECIAIS




Cavaleiros Especiais


Cavaleiros Especiais são Mestres que receberam seus Cavaleiros das Grandes Legiões de Oxan-by (*), isto é, podem ter sua força ligada a uma daquelas Lanças, com o Cavaleiro das Legiões fazendo todo o trabalho nos Planos 
Espirituais, buscando a raiz da Guarda Pretoriana romana.
O Cavaleiro das Legiões é um Mentor de força grandiosa, que fica ao lado do Mestre, auxiliando-o em tudo o que se fizer necessário para seu equilíbrio e proteção. Mesmo depois que o Mestre recebe seu Ministro, o Cavaleiro continua em suas atividades.
Com sua rede magnética, captura espíritos que estão precisando de ajuda, contendo os desesperos e as violências, conduzindo-os para onde irão receber diversos tratamentos, inclusive para os trabalhos de Prisão.
Quando o Mestre desencarna ou deixa a Doutrina, seu Cavaleiro sobe para os Planos Espirituais, onde aguarda para ser escolhido para assistir a outro Mestre.
Não serás mais como a nuvem que vive a vaguear no caminho do Vento do Mundo. Porque quis a vontade de Deus te agraciar com este rico Cavaleiro da Lança, companheiro da última hora, vindo de mundos afins da Luz e do Amor, com a missão, nesta jornada, de avaliar contigo, nos carreiros terrestres, e aliviar os teus tristes destinos cármicos.
Porque, filho, os cristãos apontam os anjos, os cientistas engrandecem a Terra. A Doutrina junta os dois e forma a Luz para a Nova Era!
Contigo ele caminhará, se tiveres a fé do teu amor! E não terás, também, crepúsculo.
Jesus, que é testemunha dos meus olhos, responderá por mim, na Luz de nosso Pai, que é Simiromba de Deus!” (Tia Neiva, 5.7.80)

“A missão é uma coisa muito séria, principalmente com uma atribuição específica. Estamos aptos para qualquer evento, para qualquer ritual, polidos e preparados.
Porém, muito importante é a emanação que você vai deixar, é a cultura que já está em funcionamento, é a sua manipulação.
O campo magnético que você manipula é o mais importante nesta atribuição.
Veja: eu recebo do Pai Seta Branca todas as atribuições. Recebo e faço, construo e, depois, com minhas mãos, vou moldando pedacinho por pedacinho e deixo ali o meu Aledá, que existe nos três reinos de minha natureza.
Meu filho, estude a sua própria personalidade, porque de nada valerão todos os conhecimentos do mundo e tudo o que estiver fora de nós, se não conhecermos a nós mesmos.
Estude a sua alma, que é a sua individualidade, que é o seu EU, e só ela reflete a sua personalidade.
Conheça a si mesmo, para viver a sua consciência e, seguro, ser feliz!”
(Tia Neiva, 22.2.83)
CANTO DO CAVALEIRO ESPECIAL

Ó, JESUS, ESTA É A HORA PRECISA DA INDIVIDUALIDADE!
EU SOU AQUELE CAVALEIRO ESPECIAL QUE UM DIA TOMBOU
PELA FORÇA IRREDUTÍVEL DO MEU TRISTE PENSAMENTO!...
ARREPENDIDO, ATRAVESSEI MARES, TERRA E ESPAÇO
EM BUSCA DA TUA COMPREENSÃO E, PELA MISSÃO, ME CONFIASTES.
SOU AQUELE CAVALEIRO, JESUS, PORÉM QUE ORA SABE O QUE QUER:
QUERO A TI, JESUS QUERIDO,
COM OS PODERES DO MEU PAI CELESTIAL, QUE ESTÁ NO CÉU!
SÃO VIDAS COM DESTINOS IGUAIS, SÃO LAÇOS DE AMOR
QUE NOS IMPULSAM PARA UM MUNDO MELHOR - A NOVA ERA!
A FELICIDADE DOS POVOS, NA CURA DESOBSESSIVA É O QUE VIVEMOS...
SOU CAVALEIRO ESPECIAL, SOU JAGUAR,
E TRABALHANDO EM BUSCA DE MINHAS HERANÇAS TRANSCENDENTAIS,
QUE FORTALECEM O MEU SOL INTERIOR
FAZENDO-ME ESTE PODER DECRESCENTE INICIÁTICO DA CURA DO PLEXO FÍSICO.
E EM TEU SANTO NOME PARTIREI SEMPRE COM -0-// EM CRISTO JESUS!
SALVE DEUS!
(Tia Neiva, 3.12.80)

OBS: Muitos mestres emitem: “...este poder decrescente iniciático da cura e do plexo físico...”. Alertai! É um erro que quebra a harmonia do trabalho.

CANTO DA ESCRAVA/NINFA DO CAVALEIRO ESPECIAL

MEU MESTRE REINO CENTRAL, ESTAMOS A VOSSA MERCÊ!
Ó, JESUS, CAMINHAMOS NA DIREÇÃO DA ESTRELA TESTEMUNHA QUE NOS REGE NESTE UNIVERSO!
CAMINHAMOS NA FORÇA ABSOLUTA DE DEUS PAI TODO PODEROSO!
SOU ESCRAVA (ou NINFA) DO CAVALEIRO VERDE ESPECIAL! (1)
CONFIANTE NOS PODERES DIVINOS, EMITO O MEU PRIMEIRO PASSO
PARA QUE O PODER DE NOSSAS HERANÇAS TRANSCENDENTAIS NOS CHEGUEM, 
PARA A CONTINUAÇÃO DESTA JORNADA!
E COM A LICENÇA DE VOSSA MERCÊ, PARTIREI SEMPRE COM -0-// EM CRISTO JESUS!
SALVE DEUS! (Tia Neiva, 6.12.80)

(1) A Lua emite como ESCRAVA, enquanto a Ninfa Sol emite “SOU NINFA DO CAVALEIRO ESPECIAL”. Muitas ninfas estão colocando, em seguida, neste ponto, o nome e classificação de seu mestre, o que está totalmente errado, já que o canto não é individualizado, e, sim, o mesmo canto para todas as ninfas ou escravas dos mestres Cavaleiros Especiais.

OBS.: Caso a ninfa, que esteja acompanhando o mestre, seja uma missionária, ela poderá emitir o canto de sua falange, sendo optativo fazer ou não o canto da ninfa do Cavaleiro Especial (1º e 2º Devas – Reunião de 28/07/2002)

A HISTORIA DE "TEACHER"




A história do “Teacher”

Isolado em seu castelo na antiga Escócia, agora parte do Reino Unido, o velho Lord (título concedido pelo Rei) sentia um vazio em sua existência. Tinha conquistado tudo o quê precisava para sentir-se verdadeiramente feliz e realizado: posses, terras (o bem mais precioso de todos os tempos), ouro e serviçais leais.

Porém o clamor de seu espírito pediu algo mais... Atribuía seu sucesso material à sua capacidade de gerenciamento de crises, e não a qualquer ser invisível que outros chamavam de deuses, ou a crendice da “sorte”. Sua esposa lhe dedicara fiel amor durante toda sua vida, e ao partir deste plano deixou uma saudade boa, repleta de lembranças agradáveis, que não lhe permitiam a tristeza ao recordar.

Em uma de suas noites de angústia injustificada teve um sonho. Sonhou que os pobres tomavam seu castelo e repartiam todo o seu ouro. Desesperado perguntava a um e outro: “O quê vão fazer com esse outro?” E ouvia sempre a mesma resposta: “Vamos comprar comida!”. “E depois?” insistia com o interlocutor, e novamente uma resposta igual: “Não sabemos!”

Acordou suado e reflexivo no meio da noite.

Pela manhã preparou sua charrete e foi passear pelos povoados que circundavam seu castelo. Viu tanta miséria que chegou a pensar em realizar o sonho e repartir toda sua fortuna. Porém, lembrava da segunda pergunta: E depois? E a resposta: Não sabemos!

Durante semanas reuniu seus leais servidores e passou a elaborar um plano de reestruturação daquela população. Procurou os que sabiam da arte de tecer, plantar e colher. Buscou aqueles que detinham a arte de manufaturar matérias primas e os que conheciam técnicas de armazenamento. Também encontrou os que sabiam das preferências dos nobres consumidores da Corte Real.

Com um planejamento estabelecido, iniciou sua missão: procurar o povo e instruir-lhes sobre como progredir na vida! Um a um dos camponeses, pequenos artesões, costureiras e tantos outros que detinham alguma habilidade, mas nenhuma instrução, técnica ou contatos comerciais, foram recebendo as valiosas lições sobre como poder progredir.

Misturava-se com o povo sem revelar sua real condição de “senhor do castelo”, de Lord. Apresentava-se com uma boina de tecido xadrez, característica dos escoceses, um simples colete e um cachecol cuidadosamente posto. O cachimbo dava-lhe um ar de distinção que o diferenciava dos habitantes comuns.

Suas instruções eram tão precisas e eficazes que todos o passaram a chamar de Professor, ou “Teacher” em inglês.

Teacher mudou a vida de todos e viu a prosperidade chegar àquela região. Poucas vezes foi necessário “colocar algum dinheiro” extra, porém quando o fazia, exigia o compromisso de devolução. Suas técnicas, e precisas informações, eram quase sempre suficientes para que cada um cuidasse de seu próprio negócio.

Em retribuição a todo o bem que praticou junto aos necessitados, aprendeu com eles sobre o Deus a quem oravam pedindo que alguém lhes fosse enviado para ajudar. Convivendo com eles aprendeu sobre sua fé e espiritualizou-se. Mas esta é outra história.

Teacher é visto como o grande protetor de nossas finanças. Não que vá ajudar você a ganhar na loteria, mas para trazer o caminho, para que com seu próprio esforço e trabalho, possa modificar sua vida e trazer a prosperidade.
Portanto, nada de fanatismo, de ficar pedindo soluções mágicas! A resposta está no conhecimento e trabalho. As oportunidades chegam a nossas mãos de acordo com nosso padrão vibratório, com o quê atraímos pelos nossos pensamentos, palavras e ações. Disposto a trabalhar e com a mente clara, pode até receber uma “ajudinha” do professor: Teacher!

O quadro original desta Entidade, pintado a pedido de Tia Neiva, foi deixado na Lojinha do Vale, única fonte de arrecadação oficial de recursos. Mestre Carmênio foi quem o recebeu.

A HISTORIA DA RAINHA DE SABÁ




A História da Rainha de Sabá por Tia Neiva

"Salve Deus!

Então um dia, eu passava por esse lugar com muito medo, achava que
eu que tava bisbilhotando, mas não era não, eu era guiada pra passar por esse
lugar. E um dia eu fui mais adiante e vi uma casinha que eu também achei
igualzinha, eu vou colocar tudo pra vocês verem.

E encontrei uma mulher muito bonita, vestida de Rainha, cheia de
contas, assim com o corpo aparecendo, uma tanga assim tudo de contas,
brilhando, uma coroa assim atrás da cabeça, uma mulher com os olhos lindos,
lindos mesmo, e um chicote na mão.

E eu fiquei espiando, de onde eu estava eu via o movimento dela lá
dentro, é uma casa meio redonda, é um castelinho, eu vou botar lá pra vocês
verem. E ela me chamou.

Foi o primeiro contato que eu tive com um Espírito de Luz, assim no
Plano Espiritual. Porque antes era com a Senhora do Espaço, que me mostrava
os lugares, os Departamentos, mostrava de longe. E esse dia é no Umbral e eu fui
lá onde ela estava.

Uma simpatia, mas eu tive muito medo dela! É dessas pessoas que
você tá perto, e você não sabe se você tá na hora de ir, você não sabe como que
se comporta. E ela me chamou:

“ – Neiva, você também já foi uma Rainha!”
Eu perguntei quem era e ela:

“ – Sabá.”

Foi a Rainha de Sabá! Eu custei a falar o nome dela porque eu esperei
que ela falasse. Era a Rainha de Sabá que estava ali. Então ela me contou:
A Rainha de Sabá, quando ela teve na terra, ela foi um espírito terrível,
ela era, ela tinha uma porção de escravos que ela chama de Safavas Pérolas,
como Pai Jamgô e outros, eram “Safadores” de pérolas. Esse é o nome que eu to dizendo porque ela me dava.

E um dia ela viu, ela viu um filho de um escravo e se apaixonou por ele.
Ela era um espírito que nunca amou na vida, não teve amor de mãe, de pai, de
nada, foi um espírito terrível, e ela se apaixonou e por isso ela mandava surrar
esse espírito!


E ele foi o Missionário que veio pra evoluir, e então um dia ele fazia
uma materialização, fazia umas defumações, e apareceu um espírito naquela
fumaça e Sabá, que ficava escondida assim naqueles matos, pra ficar olhando ele, os movimentos, o que eles faziam, tudo, e viu esse espírito e se redimiu.

Mas, e nesse dia ele foi, não precisava mais dele estar na terra, né? Ele
foi à procura de Pai Xangô... de Pai Xangô não, de Pai Zambú, e morreu afogado.
Então, ela começou a trabalhar na Alta Magia. Por isso que Sabá é um
Espírito da Alta Magia.

E quando ela subiu, ela pediu ao Ministro do Umbral, que ela queria
ficar ali num Departamento daquele pra ajudar os espíritos. E começou a tomar
conta de um certo lugar e tem ajudado muito!
Então, aquele contato meu com Sabá, ela me contou a história, e foi a
minha maior evolução. Então, eu comecei tomar gosto pela Vida Espiritual. E o
desejo de ver o Doutrinador!"

Salve Deus!

Tia Neiva
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Perfil Espiritual Rainha de Sabá

A Rainha de Sabá é mencionada no Antigo Testamento e no Corão como a soberana de um reino muito rico - o reino de Sabá - que teria visitado o rei Salomão. Os árabes chamam esta mulher de Bilqus ou Balkis; na Etiópia, Makedda, Magda, Maqda ou Makera, que significa "grandeza”. A Ordem do Graal na Terra a chama de Biltes. Anos mais tarde, o historiador judeu Flavius
Josephus refere-se a ela como “Nikaulis, rainha da Etiópia”. Na Bíblia ela é descrita como “negra e bonita”. O reino de Sabá localizava-se no sudoeste da Arábia entre 900 a 1000 anos a.C. . O incenso que produzia era muito procurado. Em Sabá não havia miséria e seu povo era sadio e feliz. A figura da Rainha de Sabá tornou-se muito conhecida principalmente por sua viagem a Jerusalém onde foi exortar Salomão a não se descuidar de sua importante missão na Terra.
Protegido geograficamente, de tal modo que o difícil acesso isolou Sabá da impureza que já naquela época grassava pelo mundo, turvando e transformando a vida dos seres humanos num vale de lágrimas. Profetas e Enviados especiais foram sendo encarnados para advertir a humanidade sobre o futuro que estavam preparando para si mesmos o que fez necessária a vinda do Messias para romper a escuridão como um raio de Luz proveniente das alturas máximas, porque os seres humanos se encaminhavam para a ruína e destruição,
antes mesmo da chegada do tempo da colheita. No Kebra Negast, ou “As Gloriosas Memórias do
Império”, um livro sagrado da Etiópia, diz-se que a própria Makedda teria criado uma regra segundo a qual “apenas uma mulher pode reinar”. Aparentemente, Sabá era uma sociedade matrilinear, em que o poder é passado aos descendentes pela via feminina. A Rainha de Sabá era muito bonita, rica e poderosa, com toda sorte de luxos e regalias. Contam que, com a morte de seu pai, ela assumiu o trono com apenas 15 anos de idade. Sua coroação foi festejada pelos súditos, uma vez que, em Sabá, mulheres e homens tinham direitos iguais. Segundo a religião, a soberana tinha que se manter virgem e tinha que seguir os costumes do seu povo. Já que não podia se entregar aos prazeres da carne, ela passava boa parte do tempo estudando
filosofia e misticismo. O encontro com a Rainha de Sabá foi a grande encruzilhada na vida do Rei Salomão. Com o seu livre arbítrio devia ter mudado de rota, abandonando a volúpia e as baixarias a que se entregava, mas Salomão falhou espiritualmente, permitindo a contaminação da crença pura com a nefasta degeneração e lascidão decorrentes do culto de Baal que destacava o desvairado comportamento sexual como fonte de felicidade; a perversidade e a astúcia como formas de manter o poder. Afirma-se que a dinastia dos reis da Etiópia provém do filho do rei Salomão e de Makkeda, e ainda que foi desta união que a lei mosaica foi trazida para a Etiópia. Na Doutrina do Amanhecer, Tia Neiva se referia à Rainha de Sabá como um grandioso espírito que nos assiste com sua luz e com sua sabedoria. Na força decrescente, nossa Mãe dizia ser ela mesma “um sétimo de Sabá”. A Prece de Sabá, emitida na Estrela Candente todos os dias, é uma grande afirmação da presença de Deus dentro de nós.

DESENCARNE




DESENCARNE

O desencarne ou a morte foi, nos tempos ancestrais, encarado como acontecimento natural e isso prevaleceu até a Idade Média, quando sofreu a influência religiosa e assumiu a idéia de punição e sofrimento. Vinda do Oriente, a aceitação da morte como simples transição do espírito passou ser encarada com mais compreensão, enquanto a Igreja Católica, já na Idade Média, lhe concedia um momento crítico, de julgamento da alma e passou a ser representada, nas diversas manifestações da arte, como figura pesada, plena de horror. Com o advento do espiritualismo, surgiu, a partir do Século XIX, nova compreensão do desencarne.

Quando parte um ente querido, após cumprir sua missão nesta encarnação, a maioria das pessoas sente um grande vazio, dilaceradas pela angústia e com o desespero minando suas energias, a revolta se insinuando em seus corações, que pulsam destroçados pela dor da separação.

Temos muita dificuldade de encarar o desencarne com tranqüilidade, mas, na Doutrina do Amanhecer, buscamos entender seu significado ao invés de nos preocuparmos com ela. Nós entendemos a Morte como uma bênção de Deus, pois sabemos que aquele espírito que deixa o corpo está nascendo para uma nova Vida, e sua passagem pela Terra foi apenas uma etapa de um longo aprendizado. Teve bons e maus momentos, riu, chorou, sofreu e teve seus momentos felizes, dentro do ciclo que corresponde a mais uma vida: nascer, viver e morrer!

O desencarne ou a morte tem sido, desde tempos antiquíssimos até hoje, uma questão enigmática para a Humanidade. Homens sem fé, sem qualquer religião, com suas mentes científicas, ficam perplexos diante da morte. Seria o fim de tudo?

Geralmente interpretada apenas como a degradação física, a morte, na nossa Doutrina, é aceita de forma tranqüila, pois nosso conhecimento supera o sofrimento, embora isso não nos isente da saudade daquele irmão ou irmã que partiu. Sabemos que aqueles seres que amamos não desapareceram, não foram aniquilados: apenas sobreviveram modificados em suas estruturas, em outras expressões vibratórias, continuando a receber nossas vibrações de amor, de saudade, de carinho. Por toda a natureza podemos ver a renovação, o recomeço, a continuidade e a demonstração de que a morte é, tão somente, o renascer. Quando enterramos um corpo morto estamos devolvendo à Natureza o invólucro que ela concedeu ao espírito por um tempo que varia de um caso para outro; quando um corpo é cremado, as cinzas ficam como restos da matéria que se desfez no ar. Mas, em nenhum desses casos, o espírito foi atingido. Só a matéria. O espírito parte para os planos de Deus, e com ele carrega sua bagagem de tudo o que fez, de bom ou de ruim.

Em nossa Corrente, a morte só nos preocupa sob um aspecto: a morte do espírito, impedido de se manifestar pelo baixo padrão vibratório, pela falta de disciplina pessoal, pela incapacidade de manipulação das energias, submisso às ações de predominância material: defeitos, ódios, intolerância, vaidade e revolta. É a conseqüência da morte da consciência, que transforma o amor em ódio, o perdão em vingança, os bons sentimentos em paixões desenfreadas, fazendo no Homem a degradação da alma.

O que comumente se chama morte é, para nós, apenas o desencarne. Sabemos que é preciso morrer para nascer. Na nossa Iniciação, determinamos a morte de nossa personalidade, e só conseguiremos evoluir em nosso estado iniciático se conseguirmos nos despojar de tudo o que seja negativo em nossa personalidade.

Para passar por esta porta estreita do desencarne temos toda uma preparação. A fagulha divina (*), a centelha extra-etérica que liga o espírito ao feto, no terceiro mês de gestação, começa a ser desprendida, 24 horas antes da morte clínica ou física. Isso acontece tanto para aqueles que têm a chamada morte natural - por doenças ou inviabilidade vital - como com os que são vítimas de acidentes, em que o espírito é liberado antes do choque fatal, de modo que não tem idéia do trauma físico. Os Médicos do Espaço, que fizeram a ligação, trabalham na liberação.

Livre, o espírito se projeta pelo chakra (*) laríngeo ou da garganta, e se coloca em posição invertida ao corpo, isto é, com sua cabeça sobre os pés do corpo, ficando em posição bem elevada. Logo, começa a baixar lentamente, sugando o magnético animal do corpo, carregando-se com todas as energias de tudo que realizou naquela encarnação, recebendo fluidos e emanações que vão formando um novo corpo, que leva consigo a alma e a conserva enquanto está a caminho.

Enquanto o espírito estiver ligado à alma, permanece no campo vibratório dela e se sujeita às leis que regem esse plano. A energia que havia servido como “solda” fica no cadáver, passando a se chamar charme (*). Esta fase de absorção do magnético animal dura cerca de 24 horas, motivo pelo qual os velórios demoram esse tempo, durante o qual o espírito recém-desencarnado recebe energias dos que ali estão, percebendo, também, os sentimentos daqueles que estão velando o corpo.

Depois de retirar todo o magnético animal do corpo, o espírito vai se sentindo leve é conduzido, por força magnética, para o primeiro ponto de contato com o Plano Espiritual: Pedra Branca, onde ficará por tempo correspondente a 7 dias terrestres. Existem opiniões que o Jaguar não vai para Pedra Branca. Mas Tia Neiva sempre nos esclareceu de que todos os desencarnados vão para lá, até mesmo ela teria que ir.

Pedra Branca é um local onde estão muitos espíritos, na mesma situação de desencarnados, mas não se vêem, isolados totalmente uns dos outros por uma barreira de neutrom, ocasionalmente ouvindo vozes, sermões e mantras, muitos sem terem consciência de seu estado de desencarnado. Ali, o espírito tem oportunidade de lamentar-se, alegrar-se, se maldizer e de fazer reflexões, avaliar sua encarnação como se, em uma tela projetada em sua mente, passasse toda a sua jornada detalhadamente. Vê as oportunidades que lhe foram dadas; as boas ou más coisas que fez; o que havia se comprometido a fazer, antes de reencarnar, e o que cumpriu; o que deixou de fazer! Fica isolado, solitário, e nada vê nem ouve.

Após o correspondente a 5 dias na Terra, ele começa a ouvir sermões esclarecedores sobre a sua real situação e, no 6º dia, é avisado de que vai deixar Pedra Branca e voltar à Terra. Exceto para espíritos de maior grau de evolução, ao sair de Pedra Branca, após o sétimo dia terrestre, o espírito chega à Rodoviária (*), onde se encontram milhares de outros espíritos, mas não tem qualquer indicação para seu destino, a não ser que será na Terra. É esse sétimo dia chamado o da REVELAÇÃO, em que o espírito tem plena consciência de toda sua grande vida. Chegando à Terra, vai iniciar sua jornada de acordo com seu padrão vibratório, e recebe o apoio de um Caboclo ou Índio para encontrar a fonte do magnético animal que permitirá sua passagem para outro plano, indo para uma Casa Transitória ou necessitando daquela energia para prosseguir até o Canal Vermelho (*), e isso é obtido por sua condução à Mesa Evangélica ou até mesmo pela simples aproximação de um médium que esteja em condições de ajudá-lo.

Se seu Mentor não consegue encaminhá-lo, impedido pelo próprio padrão vibratório daquele espírito, ele se afasta e o deixa entregue ao destino que foi escolhido pela afinidade vibratória, fruto dos laços que teve em vida, dos parentes ou seres amados, até mesmo de lugares onde viveu.

Existem espíritos que permanecem longo período como se estivessem mortos, arraigados em suas mentes negativas, dominados por ódio e rancores, de tal forma que perdem seu corpo espiritual, originando os elítrios (*) ou ovóides.

Outros espíritos se tornam errantes, por período que pode durar dias ou séculos, sendo atraídos por outros espíritos, ingressando em legiões demoníacas do Vale das Sombras (*) e só se libertando quando, aliviados por trabalhos desobsessivos, possam se voltar para Deus e receberem ajuda dos Planos Superiores.

Existe, sempre, o peso da responsabilidade, do conhecimento, e é engano pensar que um Jaguar jamais vai para o Umbral (*), pois se fugir de sua conduta doutrinária, de suas metas cármicas, tem o espírito do Jaguar uma queda muito maior do que aquele que não tem Doutrina e, por isso, não tem o conhecimento que nossa Doutrina proporciona. Assim, o sofrimento do Jaguar que sai de seu caminho é muito maior. 

O espírito desencarnado possui estrutura molecular densa que vai se tornando mais leve quando doutrinado, sendo fluidificado pelos trabalhos, até que consegue suficiente leveza para ser magneticamente projetado a um hospital ou a um albergue dos planos espirituais, retomando sua marcha evolutiva.

Os parentes e amigos que aqui ficaram devem evitar mentalizar aquele que desencarnou, ansiosos por senti-lo, falar-lhe ou ouvi-lo, pois isso gera também angústia naquele espírito que não pode comunicar-se, ainda, por condições que levam sempre um longo tempo para serem superadas.

Sabemos que o amor não tem barreiras e, por isso, vibrando amor e agradecimento por termos podido conviver e compartilhar momentos preciosos com aquele espírito, aguardando com esperança um futuro e feliz reencontro nos Planos Espirituais, temos a certeza de que estaremos em contato e ele se sentirá feliz ao receber as emanações de nossas vibrações isentas de mágoas, ressentimentos ou aflições.

O certo é que não podemos deixar de estar preparados para a Morte, pois nunca saberemos o momento em que chegará nosso desencarne, pois isso depende de muitas coisas. Não existe uma data marcada. Pode ser mais breve ou mais demorado, dependendo da trajetória de cada um, de seus atos, de suas ações e reações, de sua dedicação, de seu amor, de seu desprendimento, da capacidade de assumir novas responsabilidades que lhe proporcionarão um tempo adicional, que denominamos recartilhamento. 

Por isso devemos aprender a conviver com a morte, a pesar nossas ações para que possamos estar preparados para a partida daqueles a quem amamos e para a nossa própria partida, confiando em nossos Mentores para que sejam momentos de paz e harmonia.

Já existem estudos científicos, em diversas partes da Terra, que visam esclarecer a humanidade sobre o momento da morte ou do desencarne. Um psiquiatra - Raymond A. Moody Jr. - coletou impressões de numerosos pacientes que haviam passado pela experiência de morte iminente (EMI), e publicou um livro - Vida após a Morte -, em 1975, que desencadeou ondas favoráveis e objeções furiosas na comunidade médica internacional. Os estudos sobre o assunto se intensificaram, e foram realizadas pesquisas em diversas universidades e hospitais com pacientes que haviam passado pela EMI.

Chegaram à conclusão de que havia algo, num campo onde a Ciência atual ainda não tinha como certificar, tendo, em linhas gerais, sido isolados cinco pontos fundamentais de experiências de EMI que consideraram básicas:

paz e sensação de profundo bem-estar;

desprendimento do corpo físico;

passagem por uma espécie de corredor escuro;

visão de uma luz de brilho muito intenso;

entrada em um ambiente de luz e paz; e

visão de entes queridos que já haviam morrido.

Tudo isso se completava com a ordem de voltar ao corpo, pois ainda não era chegado o momento do desencarne. E, assim, o paciente retornava ao corpo físico e, independentemente de sua raça, religião, posição social ou convicções individuais, passava a ter uma nova visão sobre a morte, com significativas alterações em suas perspectivas de vida.

Um aspecto que intriga os pesquisadores é que alguns pacientes têm visão totalmente diferente, com ambientes hostis e sofrimentos. Isto porque os cientistas não entendem, ainda, a afinidade espiritual e o merecimento de cada um.

Outro ponto que tem gerado muita divergência é o que se refere à doação de órgãos. O Jaguar sabe que nada desta matéria se leva para a outra vida e que, mesmo se faltar uma perna ou um braço nesta encarnação, seu corpo etérico estará perfeito. Daí, que se houver doação de seus órgãos após sua morte física, é uma caridade que estará fazendo ao próximo se puder ser transplantado seu coração, ou suas córneas, ou seus rins, etc., proporcionando melhor condição a quem necessita de um órgão saudável.

O corpo físico, após poucas horas, entra em processo de decomposição e tudo se deteriora e se perde. O que puder ser de proveito para outros irmãos pode ser utilizado, sem qualquer prejuízo para aquele espírito que se libertou da matéria.

Todavia, os registros médicos vem demonstrando que, em alguns casos, existe uma interferência vibracional que altera o comportamento e a sensibilidade dos receptores, que nós sabemos pode ser causada pela vibração magnética do doador impregnada no órgão transplantado, que passa a interferir no plexo físico do receptor. (Veja DESENCARNADO)

VELÓRIO e SEPULTAMENTO

Muito se tem falado sobre como o Jaguar deve ser enterrado. O Mestre Tumuchy, em seu livro “O que é o Vale do Amanhecer”, cita o velório iniciático, sem, contudo, fazer qualquer esclarecimento sobre o assunto. Na verdade, o velório de um mestre ou de uma ninfa do Amanhecer deve ser simples, mas temos que ter a consciência de que é mais um trabalho que vamos fazer para ajudar àquele espírito que está de partida. Cada um que ali comparece deve emanar o melhor de suas forças para ajudar a elevação daquele espírito que ali ainda está presente. Uma concentração de forças, emissão de energia mental e perfeita harmonia, com a emissão de mantras, ajudam muito àquele que ali se prepara para partir rumo à Pedra Branca.

O vestuário do mestre finado pode ser calça marrom e camisa preta ou calça preta e jaleco branco, com a fita. Para a ninfa, vestido branco com a fita. Nunca deverá ser usada uma indumentária de ninfa ou de missionária. O colete pode ser dobrado e colocado ao lado do corpo; jamais vestido.

Ao chegar o momento de iniciar-se o sepultamento, antes de ser fechado o caixão, o mestre presente, de maior hierarquia ou o Adjunto ao qual o médium pertencia, faz um rápido comentário sobre o finado, e pede que se forme uma corrente, com as pessoas presentes se dando as mãos. Faz, em seguida, o “Pai Nosso”, ao fim do qual pede que se emita o mantra “Consagração aos Mestres” (“Caminheiros de Jesus”). Terminado este mantra, o caixão é fechado e se inicia a jornada para o sepultamento. Se houver flores em buquês, estes devem ser desfeitos para permitir, dentro do possível, que cada um dos acompanhantes leve uma flor, individualmente, para ser colocada na cova.

A jornada é muito importante porque, enquanto atravessa o cemitério para chegar ao local do sepultamento, os acompanhantes vão distribuindo forças pela emissão dos mantras. Essas forças atraem espíritos que estão ainda vagando entre as tumbas, e muitos conseguem serem libertados, iluminados pela luz emanada pelas vibrações de amor e paz produzidas pelos mantras e flores, elevados pela força que recebem daqueles médiuns que estão conduzindo o féretro.

Na hora do sepultamento, uma rápida parada permite a última homenagem e carga fluídica em benefício do falecido: de modo geral, faz-se a Prece de Simiromba e, se for o caso, o canto da falange missionária a que pertencia o finado. As flores são lançadas na cova, que é lacrada e põe fim ao ritual.

No que se refere aos mantras, não devem ser emitidos os ritualísticos, dando-se a preferência a: Hino do Doutrinador, Noite de Paz e Encantos do Amanhecer.

No Templo-Mãe a sirene é acionada, de hora em hora, a partir das 10 horas, até a hora do sepultamento, no dia do enterro. Antigamente era só no caso de médium daquele Templo. Agora, é em auxílio do médium de qualquer outro Templo, porque, ao ouvir a sirene, os médiuns fazem preciosa emanação de força em benefício daquele espírito que desencarnou, vibração muito importante para sua libertação.

CREMAÇÃO

Com a prática de cremação dos cadáveres, recente no Ocidente mas milenar nas correntes do Oriente, surgiu a dúvida se o corpo do Jaguar poderia ser cremado. Tia Neiva se mostrou contrária, dizendo que, em muitos casos, o espírito fica junto ao seu corpo, no cemitério, relutando em partir. Se cremado, essa situação seria muito dolorosa para aquele espírito. Mas, vamos despertar para uma realidade: o mestre ou a ninfa Jaguar, com suas consagrações e seu conhecimento, certamente não ficará prisioneiro de um cemitério, ligado ao seu cadáver. Depois de passar pela Pedra Branca, seguirá seu destino e não voltará à Terra tão cedo.

Além disso, o charme (*) é uma energia e não é material, ligando-se aos restos do corpo humano falecido. Ora, tanto faz ser a carne que vai se desintegrando, através do tempo, e acaba desaparecendo, como as cinzas, restos materiais de um corpo, a energia não se desfaz, e o charme permanece até ser recolhido, em uma nova reencarnação, por aquele espírito que o gerou.

Portanto, não há qualquer empecilho à cremação do corpo do Jaguar.



MENSAGEM DE UM AMIGO RECÉM-DESENCARNADO



“Eu estava distraída quando percebi a chegada de um amigo, de uma pessoa que passou aqui pelo Vale e que teve apenas dois ou três contatos comigo.

- Ó, Tia, que bom lhe ver! Depois de tanto tempo, Tia, só agora me é possível ouvi-la. Passei muitos dias sentindo a sua presença, o seu amor, porém sem vê-la. Por quê, Tia?

- Porque você está em um plano e eu estou em outro!

- Mas o seu plano não é Universal, Tia? A senhora não é clarividente? Os clarividentes não penetram até a terceira dimensão?

- Sim, meu filho - falei - a minha transvisão ultrapassa realmente as barreiras, mesmo as ditas intransponíveis...

- Tia querida, está me ouvindo, e isto é tudo! Como é bom lhe ver e lhe ouvir. A senhora sabe de tudo que aconteceu comigo!...

- Não, meu filho, muitas vezes participo de tudo, vou ao socorro dos enfermos e, quando volto ao corpo, não desperto, a não ser em casos que exigem seguidamente minha presença. O que aconteceu com você é um caso demasiadamente comum e, graças a Deus, não houve necessidade para me despertar, despertar a minha mente quando volto ao corpo.

- Preciso desabafar, querida Tia. Preciso lhe contar toda a minha trajetória.

- Eu sei, meu filho, que vai lhe fazer muito bem. Está na mente dos Doutrinadores e médiuns Aparás (sensitivos). Salve Deus, meu filho! Pode começar. Tire os últimos resíduos da Terra, e que neste instante seja levado até aos Encantados e entregue aos Iniciados o mantra de sua vida!

- Salve Deus, Tia! Foi tudo tão maravilhoso... Eu estava com aquele problema cardíaco que a senhora sabia quando fui lhe consultar. Mal me punha de pé, estava sempre seguro no ombro de Dulce, me equilibrando das tonteiras e com pontadas dolorosas na coluna.

A senhora, para me aliviar, me disse que eu nada tinha, que era um problema espiritual, muita mediunidade incubada, e me mandou falar com Pai Jacó.

Pai Jacó me disse palavras de conforto, belas palavras, e depois me disse que meu caso era de internamento.

Fiquei três dias na pensão do Edivaldo, de quarta-feira a sábado. No sábado, fui procurar Pai Jacó e ele novamente me falou que meu problema era espiritual e que na freqüência dos meus Retiros haviam se libertado três elítrios.

E, realmente, eu já caminhava sozinho, vinha buscar minha água de Pai Seta Branca, e subia sozinho até a pensão do Edivaldo. Recebi muito carinho do Alencar, palestrei com o Eurides. Ele me contou como veio parar aqui no Vale do Amanhecer e da sua dedicação à senhora, também.

Estranhei a atitude de Pai Jacó em me mandar de volta ao hospital, porque eu estava tão bem como nunca. Dulce, minha companheira, estava satisfeita, pois nunca me vira tão bem como eu estava me sentindo.

Os dias que permaneci aqui no Vale me abriram uma nova perspectiva. Comecei a me preocupar com as coisas que não havia feito, com as oportunidades que tive em mãos para fazer o Bem e, no entanto, deixei de fazê-lo!

Graças a Deus, nunca fiz mal a ninguém. Sim, conscientemente, nunca fiz mal a ninguém. Senti que era outro homem, com novas forças, com as forças do Bem brotando dentro do meu coração!

Comecei, então, a pensar na morte como um alívio. Lembrei-me de que eu e Dulce, minha mulher, nunca tivemos um filho e nunca tive coragem para adotar uma criança, o que era o grande desejo de Dulce. Lembrei-me, também, de uma mulatinha, uma mulherzinha que havia se prostituído e fizera tudo para nos dar uma filhinha, e eu não aceitei. Dulce chorou muito por causa de minha intransigência. Com a minha doença, ela se dedicou inteiramente a mim.

Porém, senti que a havia magoado, pois ela apegou-se à família e queria sempre voltar para o Rio. Eu era um sargento reformado. Senti que minha missão com a família de Dulce já havia terminado. Depois de minha permanência no Vale eu pensava que, com a minha morte, Dulce voltaria para o seio de sua família, e tudo ficaria bem.

Comecei a ver o meu egoísmo: ficava bom para ela, como aconteceu realmente!

Seguindo as palavras de Pai Jacó, embora sem saber a razão de me internar pois me sentia tão bem, saí no domingo do Vale e fui para casa. Comecei a passar mal. Foi horrível, só tendo alívio quando sentia a presença de Pai Jacó ou tomando a água de Pai Seta Branca. De segunda para terça eu me internei no Hospital das Forças Armadas.

Ah, Tia, que beleza! Foi tudo tão fácil! Senti uma forte dor na nuca, que foi se acentuando, e, por último, uma dor no peito. Eu fui ficando leve, leve, leve... Comecei a fazer força para me deitar. Pensei: estou no Vale do Amanhecer. Comecei a mentalizar aquela confusão, enquanto me sentia cada vez mais leve, até que ouvi minha mulher chamando a enfermeira, dizendo: ele está morrendo, ele está morrendo!...

Não sei por quanto tempo ouvi essas palavras de desespero. Comecei a ter medo, até que entrei em transe. Naturalmente, a minha mente entrou no nível etérico, onde fui prestar as contas com o meu corpo. Eu, que até então estava leve, comecei novamente a pesar, sentindo o calor dos fluídos maléficos do meu corpo.

Comecei, então, a me lembrar dos trabalhos de Pai Jacó. E o que poderia estar acontecendo comigo? Comecei a me ver andando para a pensão do Edivaldo, com uma garrafa de água fluidificada, ouvindo Pai Jacó me dizer: “Você já perdeu muito tempo... Vá para o hospital se tratar e venha fazer a caridade!”

Pensava no jovem aparelho de Pai Jacó (Gomes), que já havia feito tanta caridade. No entanto, eu, com 58 anos, nada fizera! Tudo era suave, como se nada de mais houvera acontecido. E as visões foram se apagando. Por mais que fizesse força, nada via e nada sentia, nem mesmo dores que me dessem algum sinal do que estava acontecendo. Era como se estivesse dentro de um avião parado no espaço. Não tenho noção de quanto tempo durou esta operação. E quando me vi em outra situação, numa rica e hospitaleira mansão, estava sozinho, inteiramente sozinho!

Estava envolvido por uma grossa neblina, a poucos passos de mim, num ambiente todo coberto por uma luz lilás, cuja intensidade variava de conformidade com minha mente. Não tenho noção do tempo.

De repente, alguém me chamou pelo nome. Importante: não era o meu nome, porém eu sabia que era eu! Um nome completamente diferente. Começaram os primeiros fenômenos. Enquanto esse homem falava (a voz era masculina), a névoa ia se desmanchando, clareando, passando do lilás escuro para lilás mais claro. O som de belíssimos sermões mântricos foi firmando minha mente no encanto daquelas palavras. Senti balançar o meu corpo de coisas que havia feito. De quando em vez pensava estar sonhando um lindo sonho. De quando em vez, voltava à realidade. Ora sentia saudade, ora sentia desejos de vícios diversos.

A paisagem mudava de acordo com meus pensamentos. Fui, então, me conscientizando dos fatos. O sermão continuava, dizendo coisas de que nunca me esqueci: “Homens endurecidos! Penetrem em seus corações e examinem as suas consciências. Vejam o que é possível fazer. Permanecerão sete dias dentro das suas próprias consciências. Não terão desejos. Depois, então, voltarão com as suas mentes à Terra e de lá partirão para onde lhes aprouver.”

Fiz um esforço muito grande querendo dizer: Onde estou? Qual é a minha condição? Mas minha voz não saía. Porém, tive resposta: “Terás que permanecer aqui ainda por mais noventa e seis horas. Dentro de ti entenderás melhor. O Homem vive na Terra a volúpia dos seus dias... Sua única preocupação é com sua própria segurança material, esquecendo-se da verdadeira missão, do que foi fazer realmente. Na Terra, o Homem vem para restituir o que destruiu. O Homem não tem forças para chegar aos mundos superiores enquanto sua mente estiver sob o peso da destruição que causou!”

De fato, Tia, tentei me levantar de Pedra Branca, de onde estava, mas acredito que nem o super-homem o conseguiria. Foi então que me passaram pela mente minhas faltas, na concentração daqueles dias. Senti imensa frustração pelo que havia feito. Interessante, Tia, que eu não senti tanto pelo que fiz, mas, sim, pelo que deixei de fazer. Quantas pessoas a quem deixei de ajudar, e as quais desprezei!

Ia deixar, agora, a Pedra Branca, porque foram sete dias dentro de mim mesmo. Em todas as minhas orações me lembrava de Pai Jacó e de seu aparelho; a todo instante tinha a impressão que ele chegava ali. Durante estes sete dias, ninguém vi e nada senti. Somente tinha respostas do que eu pensava.

Lembrei-me, também, da minha pobre Dulce. Tudo isso, porém, eram lembranças longínquas. Minha preocupação era, realmente, com as coisas que não fizera, que passaram por mim e eu deixara de fazer. Lembrei de José, um subalterno que teve tanta necessidade de mim e a quem não ajudei, por quem nada quis fazer.

Eis que chegou a hora de sai dali. De repente, tudo se modificou: achei-me numa grande rodoviária, iluminada pelo mesmo clarão lilás. Vi saírem pessoas com diversos destinos, sem saber para onde.

Foi quando ouvi uma voz de comando superior ao nosso plano ali: “Destino para a Terra! Equilibrem-se para a viagem!” Levei o meu pensamento imediatamente ao Vale do Amanhecer. A voz de comando avisou a chegada na Terra.

Cheguei pela manhã, Salve Deus! Parecia que havia chovido, porém, Tia, não tenho muita certeza. Comecei a enxergar com dificuldade e as coisas mudavam conforme meus pensamentos. Mudavam, porém nunca saiam daquele lilás baço, mais claro ou mais escuro. Senti muita saudade e pelejava para saber quem era eu realmente. Se alguém perguntasse meu nome, passaria vexame, pois não sabia!

Ouvi tocar a sirene e me lembrei de Edivaldo. Fui até lá, mas não enxergava direito. Ele passou por perto de mim e segurei o seu braço, balbuciando alguma coisa. Ele não me atendeu. Tocou a sirene outra vez. Eu voltei e entrei no Templo, indo parar na mesa branca.

Enxerguei luzes, muitas luzes, que desapareceram de repente, ficando novamente a luz lilás. Olhei aqueles médiuns ali sentados e não vi Pai Jacó. E antes que pensasse, senti um forte safanão e fui atirado em um aparelho, um homem. 

Comecei a chorar com todas as minhas forças. Meu Deus! Onde estou, para onde irei? - pensava. Essas perguntas me torturavam e fiquei irritado. Dei um grito. Um Doutrinador me explicou: “Que tens, irmão? Calma! Este corpo não é seu. Comporte-se direito...” Senti uma grande vergonha e voltei a chorar.

O Doutrinador continuou: “Quando estavas neste mundo, nada fazias. Agora, precisas saber que este corpo não é teu.” Quis dizer: Pai Jacó me proteja, pelo amor de Deus! Então, me aconteceu um fenômeno: Ouvi Pai Jacó me dizendo: “Filho, estás com Deus! Se receberes a doutrina desses médiuns, que estão te dando esta oportunidade, partirás para outros mundos!”

Aquelas palavras foram caindo em mim como o orvalho cai sobre a flor. Pai Jacó, meu paizinho, não me desampare! Enquanto eu me preparava, o médium se contraía pelos maus fluidos da desencarnação recente, que hoje eu entendo tão bem! De repente, me desprendi dos meus benfeitores e passei pelo processo da verdadeira desintegração. Fui jogado para uma estufa que se ligava aos meus benfeitores. Saí e, então, avistei uma cidade diante de meus olhos. Foi quando me dei conta de que havia morrido! Comecei a sentir saudade de minha pobre Dulce e a me preocupar.

Não sei por quanto tempo durou esta situação. Fui internado em um hospital e lá começaram meus conflitos. Ficava a olhar tudo quanto podia ver, maravilhado, porém com uma angústia terrível.

Sofria profunda insatisfação ou a falta de algo, de alguma cousa que deixara de fazer. Pensei que sentia falta da Dulce. Pedi ao meu Mentor que me levasse até onde ela estava, e fui. Porém, me senti tão inútil! Perseguiam-me as recordações do cabo José, da criança que eu deixara de adotar...

Pedi ao meu Mentor que me desse uma nova missão, porque aquela já estava perdida. Pedi para voltar imediatamente.

Estava de volta quando me deparei com o cabo José no mesmo plano meu. Fui correndo ao encontro dele, chamando-o como um desesperado, e, por duas vezes, ele virou-me o rosto! Continuei e parei à sua frente dizendo: “Não sabia que você havia morrido!” “Como? Como não sabia? Eu lhe havia dito que estava com pneumonia e precisava de um internamento. O senhor me virou as costas e, ainda mais, mandou que eu seguisse em frente! Não agüentei, e uma forte hemoptise me fez cair ali mesmo, esvaindo-me em sangue.”

Meu Deus! Caí de joelhos diante do cabo, pedindo-lhe perdão. Oh, Tia Neiva, foi horrível! Ele virou-me as costas e desapareceu numa fila enorme. Meu Deus! Não fui apenas malvado, porém muito pior, fui desumano, não existindo amor em meu coração. E aqui estou, sofrendo angústias e frustrações pela missão perdida.

Fui ao Ministro pedir uma nova oportunidade para voltar à Terra, e foi mais um vexame por que passei. Os Mentores me negaram, dizendo que ficaria para resolver o que realmente me restava fazer!” (Tia Neiva, 30.11.75)

“A cada dia nossas responsabilidades estão aumentando e, por isso, é preciso ficarmos cientes da vida fora da matéria. É muito fácil o espírito dela se compenetrar, porém não é fácil se adaptar!
Nos mundos espirituais ou mundos fora da matéria, a vida se compõe de positivo e negativo, isto é, homem e mulher. O espírito do homem continua homem e o espírito da mulher continua mulher. Apesar de ser afirmado por alguns iniciados que o espírito não tem sexo, os meus olhos dizem o contrário.

A adaptação do Homem na vida fora da matéria é difícil porque sente muita saudade de suas coisas e dos seus entes queridos, nas suas concepções másculas de Homem terreno, isto mesmo com o amor dos puros (força de expressão).

Os espíritos libertos vivem em suas dimensões e se amam... Se amam com a ternura dos anjos!” (Tia Neiva, 26.6.65)

“Em nossas cegueiras às vezes amaldiçoamos nossas vidas por não compreender o que fomos e o que nos espera. Nos desequilíbrios dos nossos obscuros raciocínios, habituamos a proceder de maneira irracional com a gente mesmo, chegando mesmo a ultrapassar as barreiras dos nossos destinos, de nossas louras auréolas, cujas vidas se tornam dolorosas, e por todos os pontos da Terra o clamor, quando chega o término da grande viagem, desembarcamos sem uma única coberta que nos possa cobrir no longo frio do último porto.
E, em vez, lhe resta o que deixou, ouro e prata, e consigo levar a tua última herança, que é o conflito da desarmonia interior. É fácil presumir o que nos resta, como, também, até onde a nossa capacidade pode chegar.

Todos nós conhecemos a linha divisória entre o visível e o invisível, entre o objetivo e o subjetivo, entre o sonho e a realidade. Se assim pensarmos, talvez nossas vidas não sejam tão alucinantes e nos dê tréguas a um conhecimento profundo e honesto.

Por conseguinte, antes, muito antes do desembarque, já estaremos livres para receber nossos amigos e, também, os que se dizem nossos inimigos.” (Tia Neiva, 15.6.79)

“Meu filho: A mensagem da Vida é a mesma mensagem da Morte. Choramos ao partir para a Vida, ao ver desintegrar o que é nosso... Choramos, também, com tristeza, ao sentir o desintegrar da Vida na Morte, não sabendo o que espera a Vida nas vidas, longe da Morte...” (Tia Neiva, 2.9.80)

“Filho, não chores por uma simples despedida, porque, na estrada rude da Vida, terás sempre um adeus e uma partida. Conhecemos a Vida quando conhecemos a Morte! Saber esperar é crer em nós mesmos...” (Tia Neiva, 31.1.84)

“O espírito humano, ou o espírito em sua condição de encarnado, é simplesmente um espírito revestido por um corpo físico, com sua força subdividida pelo plexo físico e pelo microplexo, e que, ao desencarnar, simplesmente se liberta do corpo, seguindo o curso natural de sua evolução.
Quando o espírito desencarna, fica o plexo físico.

Desprendem-se o microplexo e o macroplexo, que vão se apurando, apurando, até que o espírito se torna divino e conquista o terceiro plexo: Pai, Filho e Espírito Santo - Santíssima Trindade ou Chave do Verbo Divino!

Falamos aqui no espírito fora da matéria, em sua vida além física, Salve Deus!” (Tia Neiva, 3.6.84)

“Jesus! Sei que chegará um dia em que perderei de vista a Terra e a vida se despedirá aqui, em silêncio, com a cortina pela última vez sobre os meus olhos!
Não indagues o que levo comigo ao partir. Seguirei viajem de mãos vazias, mas com o coração esperançoso!

Jesus! Quando penso neste fim para os meus instantes, rompe-se o dique dos mantos e vejo a Luz da Morte e o Teu mundo, com seus tesouros incomparáveis.

Amanhã o Sol nascerá como sempre, as horas passarão, como as ondas do mar se arremessando contra os rochedos... Os prazeres... As mágoas... As coisas por que suspirei em vão!... E as coisas que obtive - todas, todas perecíveis...

Deixa-me, agora, possuir só a Verdade! O que vejo é insuperável!

Sejam estas, quando eu partir, as minhas últimas palavras...” (Tia Neiva, s/d)

“No desencarne acontece o mesmo que no nascimento: exige cuidados médicos dos dois planos. (...)
Aplicando todos os recursos, na tentativa de salvar o paciente, os médicos da Terra curam muita coisa antes que o paciente morra. Muita dor e sofrimento são, assim, poupados. O paciente que morre bem assistido chega ao outro lado com muito menos trauma e muito menos defeitos no seu perispírito.

Na verdade, embora os médicos da Terra não saibam disso, eles trabalham sempre em equipe com os médicos espirituais, cada um atuando no seu plano. Ambas as equipes, uma sabendo e a outra sem saber, obedecem aos ditames da Lei Cármica, e o paciente desencarna no momento previsto.

Todo desencarne é feito antes da morte física. Quando chega a hora, os Mentores e Guias tomam as providências necessárias e o “parto” para o outro lado tem início.

Geralmente, dura de três a quatro horas. Mas, não existem dois desencarnes iguais. Cada caso exige atenção especial. (...)

Muitas vezes a pessoa está dirigindo calmamente seu carro e seu desencarne já está sendo feito. Logo adiante, o carro capota e ela morre, às vezes inexplicavelmente. Isso mostra, inclusive, porque certas pessoas saem vivas de desastres terríveis e outras morrem de uma simples batida.” (Tia Neiva – “Sob os Olhos da Clarividente”)